quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


De coração novo, Rodriguinho já brinca e faz bagunça, diz pai

O menino, que passou por transplante de coração em dezembro, teve alta na segunda.Segundo pai, o garoto 'se achou de novo' quando chegou em casa.


Pouco mais de dois meses depois de passar por um transplante de coração, Rodrigo de Melo Marques, de 4 anos, voltou para casa e para a vida de menino. “Na segunda ele já chegou aqui, fez bagunça, jogou bola... Ficou bem à vontade”, disse ao G1 nesta terça-feira (19) o pai de Rodriguinho, o autônomo Alexandre Vasconcelos Marques, de 38 anos.
Rodriguinho teve alta do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo, no fim da tarde de segunda-feira (18). “A princípio ele falava que não queria sair do hospital. Mas, a partir do momento em que chegou em casa, se achou de novo”, conta Alexandre.

Em casa, o menino só anda descalço. Na interpretação da avó, Regina dos Santos Melo, 61 anos, é para "tirar o atraso". Nos dias em que passou no hospital, Rodriguinho ficava a maior parte do tempo em cima da cama e do sofá. "Lá não dava [para andar descalço]. Era muita contaminação", conta a mãe dele, Cláudia. Em seu primeiro dia fora do hospital, na casa no Jardim Lídia, na Zona Sul da capital, Rodriguinho não parava quieto. Chamava o irmão para jogar bola e brincava de esconde-esconde com outros meninos, até a bochecha ficar rosa.

"Ele pode ter vida normal. Pode brincar, fazendo as atividades que habitualmente faz. Só tem que tomar cuidado para não entrar em contato com crianças que estejam gripadas. Ele acabou de sair do hospital e precisa de um tempo para se adaptar", explica a cardiopediatra Estela Azeka, responsável pela equipe clínica de transplante infantil do Incor.

Rodrigo ficou internado por cerca de nove meses. Ele chegou ao Incor em maio de 2007, recebeu o transplante em dezembro e precisou de dois meses para se recuperar. O menino tinha miocardiopatia retritiva, doença em que o coração não consegue se encher e bombear direito o sangue.


Rodriguinho deve voltar ao hospital na próxima terça-feira (26), para um acompanhamento. As visitas semanais devem se repetir durante três meses. Depois, passam a ser quinzenais até os seis meses, mensais até um ano e então, serão feitas em intervalos maiores.

Ele não tem restrições alimentares, mas ainda toma quatro remédios por dia, entre eles, um imunossupressor, que tenta evitar o maior risco para a saúde do paciente que passa por um transplante: a rejeição do órgão. "O maior inconveniente do transplante a médio e longo prazo é a rejeição", explica Estela.

Segundo a cardiopediatra, desde 1992, quando foi feito o primeiro transplante em um recém-nascido, e fevereiro de 2008, o Incor já fez 70 transplantes em 67 crianças. Delas, 70% sobreviveram aos primeiros 10 anos.

Atualmente, dois meninos aguardam um transplante de coração no hospital. "A gente precisa de ter mais doação", lembra a médica.



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